segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Violência Urbana



O cadáver em estado de putrefação
Já não mostra a tamanha violação...
Em que o corpo foi submetido,
É apenas mais um abatido!

Tantas normas, tantos preceitos
Diga-me, de saber tenho direito...
Onde estão as leis do coração?
Como pode irmão matar irmão!

O pai que avilta a filha...
O ladrão que rouba e humilha,
São fatos deste cotidiano
Vive-se tempos diluviano

Tudo se mostra tão "normal"
O bem sufocado pelo mal...
E você, por que se cala?
Será que já não se abala?

Em meio a tanta desolação,
Fome, miséria e corrupção...
Mãe prostitui a própria filha
Dizendo ser isto família

É mais um corpo no necrotério
Fulano de tal na placa no cemitério
Ninguém seu corpo reclamou,
Nenhuma lágrima por ele chorou!

Aqui impera a lei do silêncio
Mãe nega o filho em sã conciência
Na violência urbana
Gente deixou de ser humana!

domingo, 4 de setembro de 2011

A INOCÊNCIA DOS SENTIDOS


A imagem no espelho reflete a mulher e esconde a menina que um dia foi.
Será que inocência é atributo de anjos e crianças?
Ou somos nós seres humanos que não a soubemos conservar.
E que por medo de perder aceitamos este querer, será isto inconseqüência?
Que sentimento é este que fere a alma e pode levar a demência.
A inocência dos sentidos, o qual chama de imprudência, vêm roubando os sonhos de "meninas" quase todos os dias.
Que infame engano, quem diz que a razão pode sobrepujar o coração!
Estes seres de vis sentimentos, que em sua volúpia, estraçalha, mata os sentidos, e faz de sua conquista apenas mais uma em sua lista.
Me pergunto: - Que idade tem o amor? Quem já ditou regras em seu coração? E se assim o fez, conseguiu as cumprir?
O mundo fecha-se cada dia mais em egoísmo, roubando nossos sonhos de amor, tirando a delicadeza dos sentimentos, embrutecendo a alma e o coração.
O amor devia ser igual uma fonte de água pura e cristalina, inesgotável de beleza e delicias, mas natural como à essência que a criou.




segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Faces



Não consigo entender aos homens...
Que uns aos outros consomem,
Será que não tem consciência?
Porque de tanta malevolência?

Seguram o poder em suas mãos
Matam pouco a pouco seus irmãos...
Falta de dignidade é a grande miséria!
Para esses "seres" tudo é só matéria

Sobre o vazio da mesa
Vivemos a mais ínfima pobreza!
Pobreza da alma, do espírito...
Que já não consegue conter o grito

Olhos secos, já não choram,
Calados, sozinhos, observam...
Lutem! Exige a vida!
Fracos, esperam a partida!

Aqui vivem os miseráveis...
Seres de carácter desprezáveis
Trazem no semblante bondade!
No coração mentiras e crueldade!




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Meu jeito




Roupas estendidas no varal
Embandeiravam meu quintal,
Crianças sorriam a brincar
Hoje me fazem recordar...

A nossa casa muito modesta
Trabalho ganho de forma honesta,
A noite com o filho a embalar...
Inventava no peito um sonhar!

Meus sonhos um dia arrancados
Por meus filhos reformulados,
Fez que meus dias de frio...
Deixassem de serem vazios

Hoje vejo meu rosto marcado
Mas de olhos muito serenos,
Certos do dever alcançado

Ainda da vida sou aprendiz
Da minha dor ninguém condeno,
Passo a passo aprendi a ser feliz...












segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ESTAÇÕES




Nas manhãs frias de inverno,
Abro meus olhos de mansinho...
Qual urso aqui hiberno
Esperando por seu carinho.

Pedindo que chegue a primavera,
Com seus aromas e coloridos..
Meu coração não mais adormecerá
Será campos e jardins floridos.

Enquanto ela não chega,
Te sinto nas águas de Agosto...
Nos raios de sol que aconchega
Na bebida que sorves com gosto.

Tenho pena dos meus olhos,
Não conseguem ver os teus...
Estão turvados, quase sem brilho
Desde o dia que te disse adeus.

Esta noite o sol namora o luar,
Tal qual namoro você...
Esperando Setembro chegar
E de novo meu coração aquecer.

E encantados pela emoção,
Meus lábios sugarão os seus...
Sintonizados em uma só canção.
















terça-feira, 26 de julho de 2011


Calaram minha voz!
Para que eu não mais declarasse meu amor por Ti.
Cerraram meus olhos!
Para que em escuridão não mais Te encontrasse.
Furaram meus tímpanos!
Para que Tua voz não mais ouvisse.
Enlouqueceram-me!
Para que em confusão mental não mais soubesse quem Tu eras.
Mas quando a brisa tocou meu rosto docemente,
Eu sabia Tu estavas ali.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

TUA VOZ MINHA COMPANHIA




Hoje ouvi tua voz,
Melodia gravada em mim...
Saudade esta algoz,
Matei com sorrisos enfim.

Teus olhos adivinhos,
Parecem ler minha face...
Que falam pelos meus caminhos,
Sem que nunca me tivesse.

Astros quentes são teus lábios,
Derretem agora minha solidão...
Suas palavras são braços macios,
Acalentam meu coração.

Meus versos são singelos,
Ditados pela emoção...
Minha escrita meus apelos,
Você minha paixão!

Um dia verei você chegar,
Sentir o calor do teu abraço...
Poder virar realidade este sonhar,
Poder dormir em teu regaço.

domingo, 10 de julho de 2011

DEVANEIOS






Me sentindo só, mergulhei em meus pensamentos, voei atravessei mares e oceanos.
E como um passarinho, sem ter um ninho onde me aconchegar, me imaginei em seus braços.
Deitada em seu peito deixei que alisasse meus cabelos.
E tu em meus devaneios, louco de amor beijava meus seios.

Mas não fiques perturbado, pois não passa de pensamentos,
Onde tudo se dissipa em breves momentos...
Mas não quero abrir os olhos, pois quando os fecho te vejo matreiro,
E novamente voltas a ser meu e a tocar-me por inteiro.

Nos sonhos não precisamos mentir, nada temos a temer,
Te beijo, me regalo no gosto de teus lábios...
Desfaleço no prazer ávido dos teus braços,
Ah! que bom seria assim de amor por ti morrer!

De mansinho retorno de minha viagem,
E vejo que tudo não passou de miragem...
Mas como explicar este gosto em minha boca,
E o teu perfume que ficou em minha roupa.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A DOR DE UMA AUSÊNCIA (DUETO COM FERNANDO FAGUNDES)

COMO-SINTO-SUA-AUSENCIA

Feito moribundo, vivo a sua mercê,

Não consigo lhe encontrar...

Não há um só dia que não pense em você,

Minha alma de amar não consegue descansar.

Caminho nas ruas entre olhares,

Sua imagem está em tudo...

Ouço sua voz em todos os lugares,

Agora sei sou só, me desnudo.

Rasgo minha pele,

Arranco teu cheiro...

Antes que meu corpo se esfacele,

E morra em solo estrangeiro.

Tudo que vejo faz lembrar você,

Seu sorriso, seus olhos a me iluminar...

Ah! Se você soubesse,

Que morro todo dia a te esperar.

A brisa morna vem me tocar,

E o desejo que me avilta...

De tua boca beijar,

Deste louco amor que a mim insepulta.

O MISTÉRIO DE ALICE

menina-lendo

Na escola todos comentavam sobre Alice, diziam que ela era uma menina muito estranha. Enquanto as crianças brincavam na rua, iam ao shopping ou ficavam no computador Alice sempre estava sozinha.

Mas quando indagada sobre sua conduta, ou ao fato de não ter amigos, ela os fitava com olhos muito brilhantes e dizia: - Vocês estão enganados, tenho muitos amigos, inclusive conheço fada, piratas, converso com deuses, astronautas e até amigos de outras galáxias eu tenho.

As crianças entreolhavam-se com ar de deboche e meio que assustadas, seria Alice uma bruxa malvada, um duende, uma extraterrestre disfarçada em missão no nosso planeta?

Ela nem ligava, ignorando a todos passava horas em seu quarto, muitas vezes saindo somente para o banho e fazer refeições para que seus pais não ficassem bravos.

Foi então que os meninos resolveram seguir Alice na saída da escola, esperaram até ela entrar em casa escondendo-se no jardim em frente á janela do seu quarto.

Pronto! Lá vem Alice saltitando de alegria, fecha a porta e cai em silêncio total, e então os meninos aproximam-se um por um a vidraça, de repente um grito e eles quase caem de susto.

Tudo volta a ficar calmo um dos meninos chega até vidraça e entre surpreso e decepcionado chama o resto dos meninos.

Alice está sentada em meio a uma pilha de livros, seus olhos denotam seu encantamento, Alice estava lendo

segunda-feira, 30 de maio de 2011

FANATISMO




Com minha alma em completa nudez,
Me escondo em meu exílio imaginário...
Fraco me entrego a languidez
Teu rosto meu triste cenário.

Aceitei ser seu segredo.....
Teu amor meu conformismo,
No meu teatro és o enredo
Não sei se vida ou abismo.

Te quero com sofreguidão...
Causa do meu mutismo,
minha companheira a solidão
Você meu fanatismo.

Em meu ser te hospedo...
Como um romance proibido,
Te desnudo entre vinhedos
Onde expresso meu libido.

Segredo, guardado com fidalguia...
Escrito em poemas e versos
Como o lobo e a águia
Solitários em nosso universo

quarta-feira, 18 de maio de 2011

ÁLIBI




Li tua "confissão" e diante dela te pergunto:

Por que me condenas?
Se me condenas por amar, por querer a quem não posso ter...

Hás de condenar o mundo, que grita e pranteia a falta do ser.

Então pode me matar, aceito calada a pena imposta... Nada mais me importa!

Já vivo a prisão da solidão, que o perpetuou no coração.

Atire a primeira pedra aquele que nunca amou, aquele que nunca desejou!

Se serei culpada não sei, amei com a fome do amor e da paixão, enlouqueci e de prazer o saciei!

Se me acusam, acusam também a ele. Que pediu, insistiu e eu me entreguei, sei também me quer, reconheço no meu seio de mulher.

Se algum crime cometi, não me arrependo, não quero perdão.

Meu álibi? Ele! Meu coração.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O JARDIM DO INCONSCIENTE.




É primavera e os jardins estão cobertos de flores, as árvores frondosas convidam para sua sombra. Em meio a tão bela paisagem surge ao fundo o mar que com seus mistérios serena-se para ouvir o burburinhos das conversas. Aos poucos o jardim vai ficando tomado de pessoas, que se aglomeram em grupos, abraços, beijos, todos querem um lugar a sombra para sentar. São muitos! velhos, novos, alguns muito meninos, todos querem falar, se divertir, todos tem o que contar. Aceno para Vânia, uma moça loira, de olhos claros, beijo seu rosto e ela quase com sofreguidão agarra minhas mãos, me pergunta se trouxe noticias de Flávio, está com muita saudades, me conta sobre o dia em que ele saiu e não mais voltou, lágrimas turvam sua visão diante de meu silêncio, diz que me odeia e que sou culpada por ele não voltar. Saio atrás dela, quando de repente esbarro em Luiz, que me convida para sairmos dali, digo que não posso acompanha-lo mas que fico extremamente honrada em lhe acompanhar num lanche ali mesmo no jardim. Luiz é um cara legal, apesar do vicio da bebida, era um jogador famoso com a idade veio a decadência e o alcoolismo.
Vânia retorna trazendo junto de si Dona Norma, bonachona, assim como a figura de uma mãe, sorridente mostra a boca desdentada, faz tricô com ninguém, entrego a ela uma cesta cheia de lãs, ela sai sorrindo puxando o novelo pelo jardim.
Vânia e Luiz divertem-se correndo atrás dos fios de lã e o jardim vira uma algazarra, eu fico ali os observando, noto que em outro extremo do jardim, uma família estendeu uma toalha na grama e juntos fazem um piquenique, a atenção é toda para um menino, que os olha ferozmente, mostrando sua insatisfação em estar ali.
Uma gritaria me tira a atenção da cena do menino, alguém está batendo em alguém, não consigo visualizar direito, todos estão em volta do tumulto, meio que assustada resolvo me retirar do jardim, quando alguém pega minha mão.
Meu primeiro impulso é de fugir, mas quando olho seu rosto mudo de opinião, ele é um conde e assim como todos os condes é gentil, cavalheiro, me convida a sentar e me encanta com suas histórias de condessas, príncipes e princesas.
O sol começa a se por e os pássaros a recolherem-se em seus ninhos, e eu fico os olhando, Vânia, Luiz, Dona Norma, o menino, o conde, fulano, ciclano, opressores, oprimidos, viciados, gente perdida em um abismo de consciência, escritores, doutores, pedreiro, costureira, pessoas, seres humanos.
Me despeço do conde, que gentilmente beija minha mão, no portão um último aceno.
Prometo voltar quarta que vem, termina mais um dia de visita no hospital psiquiátrico. Lágrimas me descem a face.