Acrílico sobre madeira
Jussara Rocha Souza
O mundo visto e revisto através do leitor, criando sonhos e realidades. Venha participar deste mundo, lendo meus artigos. Seja bem vindo!
Embasbacado de beleza
Se a vida é um mar, seja ele de rosas ou temporais, quero continuar navegando!
Navegando
Acrílico sobre madeira
Jussara Rocha Souza
Ontem brinquei de saudade, me vesti de passado, ensaiei um bailado e de ti em mim revi.
Então não pude resistir, beijei tua boca, acariciei teu corpo e em uma ânsia louca, amei!
Era tudo tão real, o beijo, a música e até o anel, veio aos poucos, surgindo no tempo, como um filme ilusório, mas atemporal.
Gosto de me sentir assim, protagonista de uma saudade infinita, melancólica, sim, desta incógnita aventura.
Sair de mim por vezes é uma dádiva, deixo o pensamento viajar e te desenho com todas as cores, aromas e sabores que inventar.
Sinto teu gosto e de ti desfruto, então bebo de teu íntimo mais profundo, vou ao fundo e quase sem força submerso no teu universo, respiro e venho à tona!
Então acordo, saciada de saudade esbanjando irrealidade!
Jussara Rocha Souza
Serei eu árvore de raízes fortes, bela, altaneira e com flores de toda sorte.
No inverno enfrenta chuvas torrenciais, temporais, ventos passam levando meus triste ais.
Mas sou árvore, tenho raízes fortes...
Então chega a primavera, me visto de cores, aromas, sabores.
Por vezes alguém rouba meus galhos, me podam, e até minhas flores desfolham.
Mas sou árvore, tenho raízes fortes...
Com o verão, vem o sol, o astro rei que dá luz, faz-me respirar, também queima, assola e de sede faz chorar.
Mas sou árvore, tenho raízes fortes...
Enfim chegou o outono, caem as folhas, me visto de amarelo, dou vida a fotografias, sou paisagem, viro poesia...
Mas sou árvore, tenho raízes forte em breve volto a brotar!
Então chegou uma nova estação, até então desconhecida. Com machado, tratores arrancaram minhas raízes e aonde havia um coração, restou um profundo abismo.
Pensei ser árvore, de raízes fortes, mas não sabia me defender da tal evolução!
Jussara Rocha Souza
A linha tênue entre passado e presente
Se faz forte e permanente
Disfarçada por coragem
Encarcerada por uma personagem
É como um lago que secou
Os pés feridos que nele pisou
São cicatrizes sanguinolentas
Que a alma atormenta
Se faz forte a verdade
Quando mostra a crueldade
Do viver sem fantasia
Na memória da guria
Olhos 'pintados' de roxos
Colorem o triste rosto
Hoje pintados em telas
Em exposições caras
Ao contrário das histórias
Aqui a fera
Mata a bela!
Jussara Rocha Souza
Deixe que eu percorra tua alma
E assim com calma
Te acaricie com meu olhar
Com as pontas dos dedos te tocar
Beber de tua essência
E em minha indecência
Percorrer teu âmago
Me deliciar em afagos
Como mortais que sois
Matérias que o tempo corrói
Quero-te em espírito
Neste meu eu lírico
Deixando a brisa
Que ao calor ameniza
Lamber de tua beleza espiritual
Dando vida a este pobre mortal!
Jussara Rocha Souza
Queria agarrar o tempo, fazê-lo parar e pedir mais um tempo para aqui poder ficar.Na correria da vida, com responsabilidades, lambendo feridas, esqueci-me de ver as flores, o céu e suas cores.Era tanto trabalho, roupas, filhos, lavando assoalho, a patroa exigente, o corpo que não podia parar... e as belezas da vida eu não vi passar.O tempo não pode voltar, mas cada minuto que tenho de vida vou apreciar. Chorar com o céu estrelado, vibrar com cada flor que desabrochou... Vou amar sem medidas, porque o tempo envelheceu o corpo, mas não o coração de menina!
Jussara Rocha Souza
Me desculpa por não mais te amar. O desamor dói tanto quanto o amar sem ser amado. Eu juro que tentei. Foram anos tentando ser vista, admirada, amada, mas você nunca me olhou de verdade.Eu te via olhar para outras mulheres e me sentia desrespeitada, humilhada. Tinha vontade de partir, mas não havia coragem; eu tinha esperança de que você mudasse.E assim passaram os anos. Eu envelheci, os sonhos ficaram esquecidos e, então, você resolveu que gostava de mim, que precisava de mim e que iria morrer se eu te deixasse.Mas, infelizmente, você chegou tarde. E foi você mesmo que se matou quando matou friamente meus sentimentos, quando fez eu me achar feia, me achar menos, quando passei noites chorando enquanto você fingia dormir.Você matou a menina, a mulher. Assassinou cruelmente um coração que te amava. Já faz muito tempo que não vivo mais aqui; aqui tem apenas um corpo, porque eu há muito parti. Felizmente, esta mulher não mora mais aqui!
Jussara Rocha Souza
Eu não sei quem foi minha mãe, conheci apenas uma mulher que sempre foi seca comigo, nunca me deu um colo, um abraço.
Dizia que eu era muito feia, que não queria que eu tirasse foto com meus irmãos pois iria "queimar o retrato"
Sempre me jogou na cara que tentou me abortar e que eu de ruim tinha nascido, que eu era tão feia que a parteira se matou na hora do parto.
Isso dói, marca, mas ela sem saber me ajudou a ser melhor, melhor que ela, sou uma mulher forte, que chuvas e vendavais nunca me derrubaram, criei meus filhos com muito amor, com onze anos fui trabalhar de doméstica em Porto Alegre, cuidei dela e de meus irmãos quando meu pai nos abandonou, cuidei dela até ela falecer e nos últimos dias falou que eu não era filha dela.
Mas tive uma casa, um abrigo para morar, frio, sem carinho, mas não era rua. Ela com sua amargura me fez forte, bondosa, e que ajudar aos outros me faz muito feliz, sou mãe de tantos quantos precisam de afeto.
Hoje já com idade, tento compreender ela, talvez nunca tenha conhecido o amor, talvez fosse doente mental, ninguém sabe o que cada um leva no coração.
E eu sobrevivi ao aborto, a falta de amor, ao patinho feio, Deus me deu uma família de sangue, outras tantas adotivas, tias, primos, vizinhas, sobrinhos, irmãos. Tenho uma família universal de amigos, filhos de coração, sou muito amada e tento retribuir a todos da mesma forma!
Mãe onde estiveres saiba que não fostes minha referência, mas me ensinasse a ser forte e a perdoar!
Jussara Rocha Souza