Havia nela algo de estranho
Olhos nublados de segredo
Como ferro no estanho
Fugidio, cinzas ao vento
Queria para mim seus medos
Ninar no colo do tempo
E assim como no arvoredo
Cortar galhos doentes
Porque então mentes
Eu a quero para mim
Com suas dores e temores
Tudo nela até o fim
Exerce em mim um fascínio
De querer o que não é possível
Da vida um escárnio
Beber com gozo o fel
Do amargor tirar mel
Me derramar na tua boca
Como tinta e pincel
Lambendo a tela do teu corpo
São delírios
De um jovem demente
Martírio
Não poder dizer o que sente
Sim, havia nela algo de estranho...
Será o amor um delírio?
Jussara Rocha Souza












