quarta-feira, 19 de outubro de 2011

UMA MENSAGEM PARA VOCÊ



A lua timidamente iluminava o breu da noite, caminho lentamente pelas ruas molhadas de sereno.
Não tenho pressa, ninguém me espera, também não tenho a quem encontrar.
As lágrimas descem a minha face, também já acostumei a elas e a minha solidão.
Passos a esmo, solitários, onde será que você mora? como é sua vida? seu dia a dia?, de repente uma pessoa fita o nada através da vidraça e eu fico imaginando que ele como eu está pensando em alguém que está distante.
Em casa o silêncio me sufoca, corta o peito como uma navalha afiada, sua imagem tal como miragem vem a mim.
Vejo você escrevendo, será que pensa em mim? toco seus cabelos e com a ponta dos dedos acaricio seu rosto. Parece que sente meu toque, você sorri, como se estivesse em comunhão com meus pensamentos.
A imagem se esvaece e volto a realidade, a distância separa nossos corpos, sentimentos escondidos, nunca revelados.
Um amor proibido, escrito através das folhas de um livro, nas linhas de uma poesia, nas palavras de uma prosa.
Resolvo escrever, quem sabe ler, algo que me faça esquecer, abro minha página, sua foto em minhas visitas, uma mensagem me faz sorrir: é de você para mim.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

QUERIA SER ETERNAMENTE CRIANÇA



Queria ser eternamente criança,
Empinar pipa, nada de temperança...
Andar descalço em meio a lagoas
De papel fazer barcos e canoas

Queria ser eternamente criança,
Onde sempre haverá esperança
Em seu coração não há maldade...
Vale sempre o valor da amizade

Queria ser eternamente criança
Da tempestade fazer bonança
Brincar com meus bichinhos
Dedicar a eles meu carinho

Papai e mamãe ver chegar
E com carinho poder abraçar,
Ter o alimento sempre a mesa...
Ser tratado com delicadeza

Ir a escola todo dia,
Final de semana ver ti tia
Bolinha de gude, pega- pega
Bonecas, roupinhas e fivelas

Queria ser eternamente criança
E não mais ver tanta desesperança
Meninos de rua esmolando
Infância se acabando,

Onde crianças viram pais
Sonhos não existem mais
Crianças que embalam criança
Em uma cruel semelhança

Eu peço por favor,
Doem mais amor
Adotem uma criança!
Adotem a esperança!





segunda-feira, 3 de outubro de 2011

HOLOCAUSTO



Calada, vi minha pele ser rasgada!
Os gritos eram abafados pelo terror e o medo constante de morrer.
Ali fiquei enquanto o sangue escorria por entre minhas coxas.
Soube naquele dia que jamais seria a mesma.
Um torpor tomava conta de mim agora, o que estava por vir?
Quem seria meu próximo algoz? Não seria melhor morrer?
Com o corpo mutilado, sofria sem descanso.
Queria poder dormir, quem sabe sonhar, mas tinha medo...
Tremores sacudiam meu corpo, fraco dos maus tratos e pela fome!
Vivia momentos de tamanha agonia, a febre aumentava e vinham os delírios...
A mesa farta, a família, meu amor primeiro.
Ouço gritos, passos fortes, cada vez mais perto.
Um frio percorreu meu ser, seria o fim da guerra?
Num esforço sobre humano tento me erguer, estico minhas mãos ossudas.
Mas o que ouço me atinge certeiro: - Hora do chuveiro!

domingo, 2 de outubro de 2011






Estando eu com saudades suas, rabisquei no papel um pássaro de asas enormes.
Transformei-o em realidade, subi em suas asas.
Pedi licença aos céus e atravessei o infinito, encontrei você!








quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Meu Pampa




Aqui o Minuano sopra forte,
Parece que passa lendo a sorte...
De quem nos pampas nasceu,
Com amor a terra cresceu...
Que nas trincheiras desta vida
Descalço trabalhador reivindica
Por um pedaço de chão,
Este seu ganha-pão...
Reformas que nunca tem formas,
Agrárias que nunca tem áreas
Grito sufocado na garganta...
Descarregado no cabo da enxada,
É democracia disfarçada...
Liberdade de expressão
Calada com arma na mão,
Trago sangue de gaúcho
Que de violência não se orgulha,
Carrega na alma farroupilha
O bravo valor nativista
Gaúcho tradicionalista