quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O juramento





O arfar do peito, quase sem forças...
Diz-me que em breve irei vê-lo,
Olhar em seus olhos, tocar seus cabelos...
Porém não deixe que eu adormeça,
Antes que este momento aconteça...
Meus lábios sorriem quase adolescidos,
Lembram juras de amor d'antes vivido...
Ternamente meus braços se estendem,
Abraçam-me ao corpo docemente...
Ele chegou, o juramento foi cumprido!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Guardiã dos sonhos




Guardiã dos sonhos,
Uma fada encantada,
Tem a missão a ela dada,
Alegrar rostos tristonhos.
Para estes pequenos sozinhos,
Criou uma lua rosa,
E nas noites silenciosa,
Recolhe os pequenos em seus braços,
Aninhando em seu regaço,
Como uma mãe afetuosa.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Desabrochando





Abria-se tal qual a flor,
No desabrochar da vida,
Bela como a aurora nascida,
Sementes do mais puro amor.
Quisera que não tivesses dissabor,
Ao longo de teu caminho,
Mas assim como a flor,
Não se pode evitar a dor,
De ter na vida espinhos.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Desejos




A luz de teu olhar
Minha razão de viver


Sua boca gotas de orvalho a molhar,
Desnudando a natureza,
Sublima-se assim a beleza,
A luz do teu olhar.
No verde azul deste mar,
Que embriaga o meu ser,
Qual a brisa no entardecer,
Na caricia mais profunda,
Que ao meu corpo inunda,
Minha razão de viver.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Fulano de tal




Era muito pequeno, chegava a ser franzino, a fome e os maus tratos naquele casebre sujo o impediram de crescer de forma normal igual aos meninos de sua idade.
A barriga saliente denunciava a presença de vermes que se alojavam em seu ventre e lhe consumiam as forças, embora os lábios sorrissem os olhos eram tristes e sem vida!
E foi desta maneira que ele cresceu, em meio à miséria, falta de amor, falta de pão, falta de tudo!
Ir a escola era um tormento, não conseguia entender o porquê de estar lá, eram motivo de riso e chacotas por parte dos colegas que debochavam de seus tênis furados e chinelos de dedos que deixavam a vista os pés abichados.
A única coisa boa era hora da merenda que matava sua fome e era a única refeição daquele dia.
Queria ser jogador, cantor de rap e quem sabe fazer sucesso e então seria o “senhor” fulano de tal e de fome nunca mais passaria mal.
O barraco de um só cômodo abrigava além dele mais oito irmãos, nenhum sabia quem era o pai, a mãe engravidava e deixava todos apreensivos, seria mais um a comer, menos alimento e mais choro de fome, frio e falta de tantas outras coisas.
A mãe dava um duro danado, mas diante de tanta gente o dinheiro era nada, desiludida e sem muita esperança desafogava as magoas na bebida e então agredia física e moralmente seus filhos, culpando-os pela miséria vivida, chamando o suposto pai de traste e prevendo o mesmo destino ruim do pai aos filhos.
E assim seguia a vida de meu pequeno menino que crescia em idade, mas não no corpo e em tamanho. Cedo conheceu o furto, quando por fome roubou laranjas na feira, depois começou a ser aviãozinho dos traficantes e aos doze anos teve sua primeira arma.
Sentiu-se homem e pela primeira vez entrou para o “maravilhoso” mundo das drogas e sentiu a força do poder do trafico no morro.
Em certa noite em meio a uma disputa por ponto de venda do trafico ele morreu assim como nasceu, pequeno e franzino.
Foi enterrado como indigente, será apenas mais um fulano de tal, seu corpo ninguém reclamou.
Esta prosa é em homenagem aos João, Antonio, Luiz, Pedro, e outros tantos nomes que morrem todos os dias vitimas da miséria, violência e descaso e que serão apenas mais um número nos registros sociais.