terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Delirando




Havia nela algo de estranho

Olhos nublados de segredo

Como ferro no estanho

Fugidio, cinzas ao vento


Queria para mim seus medos

Ninar no colo do tempo

E assim como no arvoredo

Cortar galhos doentes


Porque então mentes

Eu a quero para mim

Com suas dores e temores

Tudo nela até o fim


Exerce em mim um fascínio

De querer o que não é possível

Da vida um escárnio

Beber com gozo o fel


Do amargor tirar mel

Me derramar na tua boca

Como tinta e pincel

Lambendo a tela do teu corpo


São delírios

De um jovem demente

Martírio

Não poder dizer o que sente


Sim, havia nela algo de estranho...

Será o amor um delírio?

Jussara Rocha Souza

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