domingo, 22 de fevereiro de 2026

Rubor




O sol está lindo

Borboletas sobrevoam meu quintal

Dando ao dia um colorido especial

Leio tuas cartas e meus olhos sorriem

Te sinto em meu colo, cabeça entre minhas coxas quentes

Olho para os lados, rosto ruborizado, achei que todos pudessem ver o que agora sentia


Jussara Rocha Souza

 Alada


Hoje não volto para casa

Criei asas

Vou viajar ao mundo

Sair deste latifúndio 


Tal qual borboletas

No ar fazer piruetas

Cantar com desafino

Gritar meus desatinos 


Hoje não volto para casa

Vou de lancha ou de balsa

Atravessar o oceano

Esquecer planos 


Cansei de ser comportada

Quero ser a louca, extravasada 

Deixar em cores meu chão de giz

E ser muito feliz!


Jussara Rocha Souza


Janete

 Janete


Canção de roda 

Em noites de luar

Menina faceira

A lua vem namorar!


Acrílico sobre papel pardo.

Jussara Rocha Souza


 Homenagem à minha irmã Janete Rocha Gonzales que faz aniversário dia 08/02


Cecília

 Acrílico sobre papel pardo


Cecília 

É canção 

É poesia 

É oração 


Cecília é inspiração 


Jussara Rocha Souza ( para minha amiga Maria Cecília Cissa que faz aniversário 21/02)


Porque sou poeta...

 


Um barraco sem teto

Um céu alaranjado 

Paredes caiada

Sonhos calejados 


Na porta sem trinco

Uma foto pendurada

Ali já foi morada

De um apaixonado 


Volta ao tempo

Rasgando o vento

Pedaços de vida

Pelo destino recortado


Vira as costas

De volta ao presente

Sorri para si

Um dia ali existi!


Jussara Rocha Souza

Nos teus braços

 Descobri que teus braços 

São a medida perfeita 

Para curar meus cansaços 


Te guardo na noite que se aproxima

Nas sombras que te anunciam

No meu colo de menina


E entre medos e sonhos

Me deixo tomar de abandono

No teu corpo então componho


Canções de desejos e paixões 

Tocadas pela alma


Desnuda de mistérios 

Não sou mais eu

A ti me entrego!


Jussara Rocha Souza

Liberdade




Flutua pelos céus pássaros, borboletas e ela

Em um balé ilusório 

Voa através do espírito 

Dança com nuvens 

E canta tudo que sente

Um canto lindo de liberdade

Bailando segue a menina

O céu é o limite

Pois neste mundo de Deus

Feliz quem tem livre a mente!


Jussara Rocha Souza


Acrílico sobre madeira


Liberdade

Se as flores falassem


Acrílico sobre papel pardo


Quem me dera se as flores falassem!


Jussara Rocha Souza


Viver campeiro

 



Aqui neste lugar 

Onde o vento passa cantando 

Minha alma aventureira

Acompanha assobiando


São léguas verdejantes

Pássaros, borboletas e cigarras

Caminhos dos errantes

Algazarra da bicharada 


É o uivo da matilha

O grito do piá

O pé na armadilha

O canto do sabiá 


Quando no céu a lua aparece 

O arvoredo estala saudando

O fogão ao frio aquece

Estradeiro vaga-lumes iluminando 


É o campo anunciando

Mas um dia encerrando!


Jussara Rocha Souza

Senhor elegante




Visitando memórias 

Álbuns de fotografias

Tão minhas

Tão viscerais 


Me encontro contigo

Meu passado amigo

Fatos reais

Vivências de ancestrais


Te vejo no passeio

E por ti anseio

No banco sentar

E a ti confessar


Meu senhor elegante

Assim tão galante

De bengala e cartola

Poderias ser meu amante?


Jussara Rocha Souza


Senhor elegante


Acrílico sobre tela

( Brincando de pintar)

O celeiro


Há algo que me intriga

Escondido dentro do celeiro

Em meio ao trigo

Pode haver um mensageiro


A noite o frio 

Congelante 

Trás notícias pelo rio

O refúgio dos passantes


O celeiro que ouve vozes

O trigo de travesseiro

Esconde de seus algozes

Tão corajoso companheiro


Meu celeiro interior 

Me fala sobre o passado

Uma história de amor

Escrita por um exilado!


Jussara Rocha Souza


Acrílico sobre tela 

Celeiro


E você o que esconde em seu celeiro interior?

( como disse anteriormente não sou artista, apenas faço o que gosto)


Pelos caminhos


 Em minhas andanças 

Campos e estradas

Bebo vivências

Me embriaga de experiências

Atiça o espírito

E o artista grita

O pincel então dança 

Brincando com a tela

Me livrando da esparrela

Liberta

Deixo os sentidos

Aflorarem minhas entranhas

Agora sou eu

Neste mundo que me estranha!


Jussara Rocha Souza


Acrílico sobre tela


Vista por trás do canal da Corsan


Eólicas

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Delirando




Havia nela algo de estranho

Olhos nublados de segredo

Como ferro no estanho

Fugidio, cinzas ao vento


Queria para mim seus medos

Ninar no colo do tempo

E assim como no arvoredo

Cortar galhos doentes


Porque então mentes

Eu a quero para mim

Com suas dores e temores

Tudo nela até o fim


Exerce em mim um fascínio

De querer o que não é possível

Da vida um escárnio

Beber com gozo o fel


Do amargor tirar mel

Me derramar na tua boca

Como tinta e pincel

Lambendo a tela do teu corpo


São delírios

De um jovem demente

Martírio

Não poder dizer o que sente


Sim, havia nela algo de estranho...

Será o amor um delírio?

Jussara Rocha Souza

Conto de fadas da vida real




Ela não era Alice

Mas vivia no país das maravilhas

Sua vida feita de fantasias 

Transformava ervilhas

Em carruagens

Inventava bobagens

Ensaiava coragem

Finais felizes

Onde mocinhos eram heróis 

E viviam felizes para sempre

Um dia conheceu a paixão 

O príncipe João 

Com seu castelo de papelão 

Não era o homem de lata

Mas como o tal

Não tinha coração 

Seria o amor uma triste ilusão

Ou apenas um conto de fadas da vida real.


Jussara Rocha Souza

A moça da cor lilás




Tinha violetas na janela

Casa de paredes lilás 

Seu mundo era colorido

Tudo nela aliás 

No estômago borboletas

Livres a voar

Tremiam ao lhe ver passar

O jardim cheio de flores

Da moça da cor lilás 

Exalavam fragrâncias 

Que lhe roubavam o ar

Dizem que ela espera alguém 

E cada flor do jardim

Representa a sua partida

A moça da cor lilás 

É pura fantasia

Sentada em seu jardim

Em noites de lua cheia

Vira vaga-lume 

Em busca de um antigo perfume!


Jussara Rocha Souza

Flores avermelhadas

 



Tenho lágrimas no olhar

Mas não sou triste não 

São gotas de saudade

No peito acumulada 

Que brotam na primavera

Viram flores avermelhadas

E precisam ser molhadas!


Jussara Rocha Souza

Vila das Luzes

 

Acrílico sobre tela

Jussara Rocha Souza

Foi ainda ontem ou ainda é?




Abria porta e janelas 

Acreditava que a dor poderia sair por elas

Na cozinha batia pratos e panelas

Cozinhava mágoas 

Condensava lágrimas 

Na sala as risadas ecoavam

Mal sabiam que o jantar servido

Tinha além de lagostas e caviar

Tinha neles o suor

O sabor da dor

Do ferro que mexe a brasa

Que marca a pele

E a ferida abrasa

Desculpa meu Senhor

Mas teu prato

Hoje contém veneno

Do mesmo que me deste 

Esperma, ódio, sangue

Temperado com dor, lágrimas, heranças 

Da velha negra a beira do fogão 

Foi ainda ontem ou ainda é?

Pergunta ao meu interior a criança.


Jussara Rocha Souza

Distraídos

 


 


Se me disseste que vinhas

Prepararia meu melhor sorriso 

Usado um belo vestido

Feito as unhas


Quem sabe compraria uvas

Colocaria luvas

Ensaio gestos e bocas

E em frente ao espelho


Arrumar os cabelos

Mas nada teria importância 

Se não fosse por amor

E  este não pede formosura 


És meu e eu tua

Simples, clichê

Sem trejeitos 

Sem enfeites


Distraídos 


Sós, somente em nós!


Jussara Rocha Souza 


Se me disseste que vinhas

Prepararia meu melhor sorriso 

Usado um belo vestido

Feito as unhas


Quem sabe compraria uvas

Colocaria luvas

Ensaio gestos e bocas

E em frente ao espelho


Arrumar os cabelos

Mas nada teria importância 

Se não fosse por amor

E  este não pede formosura 


És meu e eu tua

Simples, clichê

Sem trejeitos 

Sem enfeites


Distraídos 


Sós, somente em nós!


Jussara Rocha Souza 


Se me disseste que vinhas

Prepararia meu melhor sorriso 

Usado um belo vestido

Feito as unhas


Quem sabe compraria uvas

Colocaria luvas

Ensaio gestos e bocas

E em frente ao espelho


Arrumar os cabelos

Mas nada teria importância 

Se não fosse por amor

E  este não pede formosura 


És meu e eu tua

Simples, clichê

Sem trejeitos 

Sem enfeites


Distraídos 


Sós, somente em nós!


Jussara Rocha Souza