Abria porta e janelas
Acreditava que a dor poderia sair por elas
Na cozinha batia pratos e panelas
Cozinhava mágoas
Condensava lágrimas
Na sala as risadas ecoavam
Mal sabiam que o jantar servido
Tinha além de lagostas e caviar
Tinha neles o suor
O sabor da dor
Do ferro que mexe a brasa
Que marca a pele
E a ferida abrasa
Desculpa meu Senhor
Mas teu prato
Hoje contém veneno
Do mesmo que me deste
Esperma, ódio, sangue
Temperado com dor, lágrimas, heranças
Da velha negra a beira do fogão
Foi ainda ontem ou ainda é?
Pergunta ao meu interior a criança.
Jussara Rocha Souza

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