terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Delirando




Havia nela algo de estranho

Olhos nublados de segredo

Como ferro no estanho

Fugidio, cinzas ao vento


Queria para mim seus medos

Ninar no colo do tempo

E assim como no arvoredo

Cortar galhos doentes


Porque então mentes

Eu a quero para mim

Com suas dores e temores

Tudo nela até o fim


Exerce em mim um fascínio

De querer o que não é possível

Da vida um escárnio

Beber com gozo o fel


Do amargor tirar mel

Me derramar na tua boca

Como tinta e pincel

Lambendo a tela do teu corpo


São delírios

De um jovem demente

Martírio

Não poder dizer o que sente


Sim, havia nela algo de estranho...

Será o amor um delírio?

Jussara Rocha Souza

Conto de fadas da vida real




Ela não era Alice

Mas vivia no país das maravilhas

Sua vida feita de fantasias 

Transformava ervilhas

Em carruagens

Inventava bobagens

Ensaiava coragem

Finais felizes

Onde mocinhos eram heróis 

E viviam felizes para sempre

Um dia conheceu a paixão 

O príncipe João 

Com seu castelo de papelão 

Não era o homem de lata

Mas como o tal

Não tinha coração 

Seria o amor uma triste ilusão

Ou apenas um conto de fadas da vida real.


Jussara Rocha Souza

A moça da cor lilás




Tinha violetas na janela

Casa de paredes lilás 

Seu mundo era colorido

Tudo nela aliás 

No estômago borboletas

Livres a voar

Tremiam ao lhe ver passar

O jardim cheio de flores

Da moça da cor lilás 

Exalavam fragrâncias 

Que lhe roubavam o ar

Dizem que ela espera alguém 

E cada flor do jardim

Representa a sua partida

A moça da cor lilás 

É pura fantasia

Sentada em seu jardim

Em noites de lua cheia

Vira vaga-lume 

Em busca de um antigo perfume!


Jussara Rocha Souza

Flores avermelhadas

 



Tenho lágrimas no olhar

Mas não sou triste não 

São gotas de saudade

No peito acumulada 

Que brotam na primavera

Viram flores avermelhadas

E precisam ser molhadas!


Jussara Rocha Souza

Vila das Luzes

 

Acrílico sobre tela

Jussara Rocha Souza

Foi ainda ontem ou ainda é?




Abria porta e janelas 

Acreditava que a dor poderia sair por elas

Na cozinha batia pratos e panelas

Cozinhava mágoas 

Condensava lágrimas 

Na sala as risadas ecoavam

Mal sabiam que o jantar servido

Tinha além de lagostas e caviar

Tinha neles o suor

O sabor da dor

Do ferro que mexe a brasa

Que marca a pele

E a ferida abrasa

Desculpa meu Senhor

Mas teu prato

Hoje contém veneno

Do mesmo que me deste 

Esperma, ódio, sangue

Temperado com dor, lágrimas, heranças 

Da velha negra a beira do fogão 

Foi ainda ontem ou ainda é?

Pergunta ao meu interior a criança.


Jussara Rocha Souza

Distraídos

 


 


Se me disseste que vinhas

Prepararia meu melhor sorriso 

Usado um belo vestido

Feito as unhas


Quem sabe compraria uvas

Colocaria luvas

Ensaio gestos e bocas

E em frente ao espelho


Arrumar os cabelos

Mas nada teria importância 

Se não fosse por amor

E  este não pede formosura 


És meu e eu tua

Simples, clichê

Sem trejeitos 

Sem enfeites


Distraídos 


Sós, somente em nós!


Jussara Rocha Souza 


Se me disseste que vinhas

Prepararia meu melhor sorriso 

Usado um belo vestido

Feito as unhas


Quem sabe compraria uvas

Colocaria luvas

Ensaio gestos e bocas

E em frente ao espelho


Arrumar os cabelos

Mas nada teria importância 

Se não fosse por amor

E  este não pede formosura 


És meu e eu tua

Simples, clichê

Sem trejeitos 

Sem enfeites


Distraídos 


Sós, somente em nós!


Jussara Rocha Souza 


Se me disseste que vinhas

Prepararia meu melhor sorriso 

Usado um belo vestido

Feito as unhas


Quem sabe compraria uvas

Colocaria luvas

Ensaio gestos e bocas

E em frente ao espelho


Arrumar os cabelos

Mas nada teria importância 

Se não fosse por amor

E  este não pede formosura 


És meu e eu tua

Simples, clichê

Sem trejeitos 

Sem enfeites


Distraídos 


Sós, somente em nós!


Jussara Rocha Souza