A xícara sobre a mesa parecia estar à espera do café a ser servido...
Na cozinha, o cheiro do pão feito em casa exalava por todos os cômodos, dando a sensação que em breve alguém iria saboreá-lo.
A chuva molhava a vidraça que embasada pelo fogo do fogão a lenha tirava a visão lá de fora, ela sentou na cadeira de balanço e começou a entoar uma canção.
Enquanto cantava, lágrimas escorriam pela face, este ritual já durava muitos anos, a xícara sobre a mesa, o pão feito em casa e a canção entoada a beira da janela.
Uma caixa de madeira sobre o colo nela seus guardados, lembranças de um passado, o amor ali em fotos contado.
De repente a porta se abre e ele entra, beija seus lábios com tamanha saudades, choram abraçados e ali ficam até a madrugada.
Ela nada pergunta, está feliz demais com a volta, naquele amanhecer o fogão não foi aceso, a xícara continua sobre a mesa e o pão permanece dormindo na forma.
O sol bebeu o sereno das vidraças, iluminando a face da velha senhora na cadeira de balanço, que enfim para sempre junto dele adormeceu!
Jussara Rocha Souza

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