domingo, 28 de setembro de 2025

Oleiro



Sentado no terreiro 

Mistura o barro o oleiro

Ao longe denso nevoeiro

No coração espera por Janeiro


Confere o jarro

Imagina sobre a mesa

Flores de amoreira

E a tal sobremesa


Precisa se apressar

Já é primavera 

Deixou a vitrola tocar

E o cigarro na carteira 


Olhar percorre estrada afora

O barro nas mãos a secar

Espera pela senhora

Que prometeu voltar


A  mesa repleta de louças 

O oleiro não percebeu

Que janeiro a muito passou

Verão e inverno já chegaram


Volta ao terreiro 

Madrugada

Esculpe a amada

E jura que é Janeiro

O pobre oleiro!


Jussara Rocha Souza

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