Sentado no terreiro
Mistura o barro o oleiro
Ao longe denso nevoeiro
No coração espera por Janeiro
Confere o jarro
Imagina sobre a mesa
Flores de amoreira
E a tal sobremesa
Precisa se apressar
Já é primavera
Deixou a vitrola tocar
E o cigarro na carteira
Olhar percorre estrada afora
O barro nas mãos a secar
Espera pela senhora
Que prometeu voltar
A mesa repleta de louças
O oleiro não percebeu
Que janeiro a muito passou
Verão e inverno já chegaram
Volta ao terreiro
Madrugada
Esculpe a amada
E jura que é Janeiro
O pobre oleiro!
Jussara Rocha Souza

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