terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Flores avermelhadas

 



Tenho lágrimas no olhar

Mas não sou triste não 

São gotas de saudade

No peito acumulada 

Que brotam na primavera

Viram flores avermelhadas

E precisam ser molhadas!


Jussara Rocha Souza

Vila das Luzes

 

Acrílico sobre tela

Jussara Rocha Souza

Foi ainda ontem ou ainda é?




Abria porta e janelas 

Acreditava que a dor poderia sair por elas

Na cozinha batia pratos e panelas

Cozinhava mágoas 

Condensava lágrimas 

Na sala as risadas ecoavam

Mal sabiam que o jantar servido

Tinha além de lagostas e caviar

Tinha neles o suor

O sabor da dor

Do ferro que mexe a brasa

Que marca a pele

E a ferida abrasa

Desculpa meu Senhor

Mas teu prato

Hoje contém veneno

Do mesmo que me deste 

Esperma, ódio, sangue

Temperado com dor, lágrimas, heranças 

Da velha negra a beira do fogão 

Foi ainda ontem ou ainda é?

Pergunta ao meu interior a criança.


Jussara Rocha Souza

Distraídos

 


 


Se me disseste que vinhas

Prepararia meu melhor sorriso 

Usado um belo vestido

Feito as unhas


Quem sabe compraria uvas

Colocaria luvas

Ensaio gestos e bocas

E em frente ao espelho


Arrumar os cabelos

Mas nada teria importância 

Se não fosse por amor

E  este não pede formosura 


És meu e eu tua

Simples, clichê

Sem trejeitos 

Sem enfeites


Distraídos 


Sós, somente em nós!


Jussara Rocha Souza 


Se me disseste que vinhas

Prepararia meu melhor sorriso 

Usado um belo vestido

Feito as unhas


Quem sabe compraria uvas

Colocaria luvas

Ensaio gestos e bocas

E em frente ao espelho


Arrumar os cabelos

Mas nada teria importância 

Se não fosse por amor

E  este não pede formosura 


És meu e eu tua

Simples, clichê

Sem trejeitos 

Sem enfeites


Distraídos 


Sós, somente em nós!


Jussara Rocha Souza 


Se me disseste que vinhas

Prepararia meu melhor sorriso 

Usado um belo vestido

Feito as unhas


Quem sabe compraria uvas

Colocaria luvas

Ensaio gestos e bocas

E em frente ao espelho


Arrumar os cabelos

Mas nada teria importância 

Se não fosse por amor

E  este não pede formosura 


És meu e eu tua

Simples, clichê

Sem trejeitos 

Sem enfeites


Distraídos 


Sós, somente em nós!


Jussara Rocha Souza

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Silêncio




Queria tanto poder dizer

Das dores do meu viver

Destas que machuca

Sem ninguém ver

Não há hematomas na pele

Há sangue no coração 

Cicatrizes profundas nas mãos 

Machucadas pelo medo de dizer não 

É um sofrimento constante

Como se a gente não fosse gente

Vem de muitos andares 

Pedras e tropeçar 

É o lamento dos loucos

Dos que não sou ouvidos

Do grito preso na garganta 

Com seu íntimo em gemidos 

É o silêncio dos oprimidos 


Jussara Rocha Souza

Abandono

Pensei em jogar fora tintas, pincéis 

Rasgar meus papéis 

Não quero mais escrever

Bordar ou pintar

Já não há prazer 

No versejar 

O amor esfriou

As palavras já não acalentam

Elas ferem

Cortam como lâminas afiadas

Pensei um dia ser poeta

Até mesmo artista

Quanta soberba

Descobri que não sei fazer arte

Porque tenho coração 

E este não sabe viver de razão!


Jussara Rocha Souza 

Infância roubada




Dorme em mim uma menina,

Com sonhos presos

Em uma infância contida

Em um lugar longínquo 

Da memória 

Chamado saudades

Pés descalços no barro vermelho

No sobe e desce

Desgrenhado cabelo

Carrega jarros d'água 

Com ele mata a sede

Lava mágoas 

Carrega o peso de ser adulta 

No corpo de uma criança 

Chora e sorri

Com a chamada esperança 

Conhece o medo 

E mesmo sem ter conhecimento 

Faz parte do tal enredo 

Dorme menina, dorme...


Jussara Rocha Souza 

Tempo me sussurrou...




O tempo implacável 

Me sussurrou: 

Precisas viver 

A vida é inegociável 

Surpreenda-se 

Deixe os afazeres para depois

Você carregou vida no teu ventre

Deu seu corpo

Foi abrigo

Sustentou

Amou

Se doou

Agora é com você 

Liberte-se

Disse o tempo

Eu passo muito rápido 

E você não é eterno

Mas este momento pode ser a eternidade de um dia!


Jussara Rocha Souza 

Desertos




Atravessou desertos

Com passos leves

Porém cansados

Os cactos

Haviam dilacerado a carne

O solo árido

De tempos fechados

Sangue nos rios

Sombrios

As marcas

Deixou pelas estradas

Rastros do que viveu

As do corpo

As guardou na alma

Delicado

Sorriso no rosto 

De quem bebe com gosto 

O tempo que lhe restou

É como as rosas 

Belas flores

Embora os espinhos

Lhe causem dores!


Jussara Rocha Souza 

A poesia fez o poeta: vives em mim

 



Quando penso em ti

Penso que não sou poeta

É a poesia que se faz em mim

Das flores no jardim

No cheiro do alecrim 

Desta saudades que deixaste por onde passavas

Na boca que beijavas

E nesta prosa poética 

Te vejo nas letras que componho

Quando te ti desfruto em sonho

És a canção no rádio a tocar

No riso frouxo no ar

Da paixão furtiva no olhar

Então me embriago

De poesias

E me faço poeta

Me sinto completa

E de saudades tua repleta!!!


Jussara Rocha Souza

domingo, 28 de setembro de 2025

Lenda e magia do além mar


 Olho o mar

Pensamentos a navegar

Quantos segredos tuas águas guardam em tuas profundezas?

 O canto de tuas ondas 

sussurram-me poesias.

Embalando barqueiros em noites de lua cheia.

Exalando o sal dos mares.

Em suas redes pesqueiras 

Golfinhos brincam com sereias. 

Contam lendas ao redor das fogueiras

 Um balé encantado.

Por oceanos navegados. 

Águas que abraçam ao sabor de tuas marés 

Águas que molham rostos

Tomados de fé 

Água que dá a vida

Que pede socorro 

Quando atingida

É poesia que canta

Dos mares a realidade

E a magia

Jussara Rocha Souza 

Felicidade



Hoje acordei girassóis 

Esfuziante 

Repleta de luz

Não é sempre assim

Mas o que importa 

Abro a porta

Deixo a vida me invadir

O sol entrar 

E eu quero me permitir

Bebo até a última gota

Deste opióide

Chamado felicidade!


Jussara Rocha Souza

Oleiro



Sentado no terreiro 

Mistura o barro o oleiro

Ao longe denso nevoeiro

No coração espera por Janeiro


Confere o jarro

Imagina sobre a mesa

Flores de amoreira

E a tal sobremesa


Precisa se apressar

Já é primavera 

Deixou a vitrola tocar

E o cigarro na carteira 


Olhar percorre estrada afora

O barro nas mãos a secar

Espera pela senhora

Que prometeu voltar


A  mesa repleta de louças 

O oleiro não percebeu

Que janeiro a muito passou

Verão e inverno já chegaram


Volta ao terreiro 

Madrugada

Esculpe a amada

E jura que é Janeiro

O pobre oleiro!


Jussara Rocha Souza