Tenho lágrimas no olhar
Mas não sou triste não
São gotas de saudade
No peito acumulada
Que brotam na primavera
Viram flores avermelhadas
E precisam ser molhadas!
Jussara Rocha Souza
O mundo visto e revisto através do leitor, criando sonhos e realidades. Venha participar deste mundo, lendo meus artigos. Seja bem vindo!
Tenho lágrimas no olhar
Mas não sou triste não
São gotas de saudade
No peito acumulada
Que brotam na primavera
Viram flores avermelhadas
E precisam ser molhadas!
Jussara Rocha Souza
Abria porta e janelas
Acreditava que a dor poderia sair por elas
Na cozinha batia pratos e panelas
Cozinhava mágoas
Condensava lágrimas
Na sala as risadas ecoavam
Mal sabiam que o jantar servido
Tinha além de lagostas e caviar
Tinha neles o suor
O sabor da dor
Do ferro que mexe a brasa
Que marca a pele
E a ferida abrasa
Desculpa meu Senhor
Mas teu prato
Hoje contém veneno
Do mesmo que me deste
Esperma, ódio, sangue
Temperado com dor, lágrimas, heranças
Da velha negra a beira do fogão
Foi ainda ontem ou ainda é?
Pergunta ao meu interior a criança.
Jussara Rocha Souza
Se me disseste que vinhas
Prepararia meu melhor sorriso
Usado um belo vestido
Feito as unhas
Quem sabe compraria uvas
Colocaria luvas
Ensaio gestos e bocas
E em frente ao espelho
Arrumar os cabelos
Mas nada teria importância
Se não fosse por amor
E este não pede formosura
És meu e eu tua
Simples, clichê
Sem trejeitos
Sem enfeites
Distraídos
Sós, somente em nós!
Jussara Rocha Souza
Se me disseste que vinhas
Prepararia meu melhor sorriso
Usado um belo vestido
Feito as unhas
Quem sabe compraria uvas
Colocaria luvas
Ensaio gestos e bocas
E em frente ao espelho
Arrumar os cabelos
Mas nada teria importância
Se não fosse por amor
E este não pede formosura
És meu e eu tua
Simples, clichê
Sem trejeitos
Sem enfeites
Distraídos
Sós, somente em nós!
Jussara Rocha Souza
Se me disseste que vinhas
Prepararia meu melhor sorriso
Usado um belo vestido
Feito as unhas
Quem sabe compraria uvas
Colocaria luvas
Ensaio gestos e bocas
E em frente ao espelho
Arrumar os cabelos
Mas nada teria importância
Se não fosse por amor
E este não pede formosura
És meu e eu tua
Simples, clichê
Sem trejeitos
Sem enfeites
Distraídos
Sós, somente em nós!
Jussara Rocha Souza
Queria tanto poder dizer
Das dores do meu viver
Destas que machuca
Sem ninguém ver
Não há hematomas na pele
Há sangue no coração
Cicatrizes profundas nas mãos
Machucadas pelo medo de dizer não
É um sofrimento constante
Como se a gente não fosse gente
Vem de muitos andares
Pedras e tropeçar
É o lamento dos loucos
Dos que não sou ouvidos
Do grito preso na garganta
Com seu íntimo em gemidos
Pensei em jogar fora tintas, pincéis
Rasgar meus papéis
Não quero mais escrever
Bordar ou pintar
Já não há prazer
No versejar
O amor esfriou
As palavras já não acalentam
Elas ferem
Cortam como lâminas afiadas
Pensei um dia ser poeta
Até mesmo artista
Quanta soberba
Descobri que não sei fazer arte
Porque tenho coração
E este não sabe viver de razão!
Jussara Rocha Souza
Dorme em mim uma menina,
Com sonhos presos
Em uma infância contida
Em um lugar longínquo
Da memória
Chamado saudades
Pés descalços no barro vermelho
No sobe e desce
Desgrenhado cabelo
Carrega jarros d'água
Com ele mata a sede
Lava mágoas
Carrega o peso de ser adulta
No corpo de uma criança
Chora e sorri
Com a chamada esperança
Conhece o medo
E mesmo sem ter conhecimento
Faz parte do tal enredo
Dorme menina, dorme...
Jussara Rocha Souza
O tempo implacável
Me sussurrou:
Precisas viver
A vida é inegociável
Surpreenda-se
Deixe os afazeres para depois
Você carregou vida no teu ventre
Deu seu corpo
Foi abrigo
Sustentou
Amou
Se doou
Agora é com você
Liberte-se
Disse o tempo
Eu passo muito rápido
E você não é eterno
Mas este momento pode ser a eternidade de um dia!
Jussara Rocha Souza
Atravessou desertos
Com passos leves
Porém cansados
Os cactos
Haviam dilacerado a carne
O solo árido
De tempos fechados
Sangue nos rios
Sombrios
As marcas
Deixou pelas estradas
Rastros do que viveu
As do corpo
As guardou na alma
Delicado
Sorriso no rosto
De quem bebe com gosto
O tempo que lhe restou
É como as rosas
Belas flores
Embora os espinhos
Lhe causem dores!
Jussara Rocha Souza
Quando penso em ti
Penso que não sou poeta
É a poesia que se faz em mim
Das flores no jardim
No cheiro do alecrim
Desta saudades que deixaste por onde passavas
Na boca que beijavas
E nesta prosa poética
Te vejo nas letras que componho
Quando te ti desfruto em sonho
És a canção no rádio a tocar
No riso frouxo no ar
Da paixão furtiva no olhar
Então me embriago
De poesias
E me faço poeta
Me sinto completa
E de saudades tua repleta!!!
Jussara Rocha Souza
Pensamentos a navegar
Quantos segredos tuas águas guardam em tuas profundezas?
O canto de tuas ondas
sussurram-me poesias.
Embalando barqueiros em noites de lua cheia.
Exalando o sal dos mares.
Em suas redes pesqueiras
Golfinhos brincam com sereias.
Contam lendas ao redor das fogueiras
Um balé encantado.
Por oceanos navegados.
Águas que abraçam ao sabor de tuas marés
Águas que molham rostos
Tomados de fé
Água que dá a vida
Que pede socorro
Quando atingida
É poesia que canta
Dos mares a realidade
E a magia
Jussara Rocha Souza
Hoje acordei girassóis
Esfuziante
Repleta de luz
Não é sempre assim
Mas o que importa
Abro a porta
Deixo a vida me invadir
O sol entrar
E eu quero me permitir
Bebo até a última gota
Deste opióide
Chamado felicidade!
Jussara Rocha Souza
Sentado no terreiro
Mistura o barro o oleiro
Ao longe denso nevoeiro
No coração espera por Janeiro
Confere o jarro
Imagina sobre a mesa
Flores de amoreira
E a tal sobremesa
Precisa se apressar
Já é primavera
Deixou a vitrola tocar
E o cigarro na carteira
Olhar percorre estrada afora
O barro nas mãos a secar
Espera pela senhora
Que prometeu voltar
A mesa repleta de louças
O oleiro não percebeu
Que janeiro a muito passou
Verão e inverno já chegaram
Volta ao terreiro
Madrugada
Esculpe a amada
E jura que é Janeiro
O pobre oleiro!
Jussara Rocha Souza