Acrílico sobre papel pardo
Quem me dera se as flores falassem!
Jussara Rocha Souza
O mundo visto e revisto através do leitor, criando sonhos e realidades. Venha participar deste mundo, lendo meus artigos. Seja bem vindo!
Aqui neste lugar
Onde o vento passa cantando
Minha alma aventureira
Acompanha assobiando
São léguas verdejantes
Pássaros, borboletas e cigarras
Caminhos dos errantes
Algazarra da bicharada
É o uivo da matilha
O grito do piá
O pé na armadilha
O canto do sabiá
Quando no céu a lua aparece
O arvoredo estala saudando
O fogão ao frio aquece
Estradeiro vaga-lumes iluminando
É o campo anunciando
Mas um dia encerrando!
Jussara Rocha Souza
Visitando memórias
Álbuns de fotografias
Tão minhas
Tão viscerais
Me encontro contigo
Meu passado amigo
Fatos reais
Vivências de ancestrais
Te vejo no passeio
E por ti anseio
No banco sentar
E a ti confessar
Meu senhor elegante
Assim tão galante
De bengala e cartola
Poderias ser meu amante?
Jussara Rocha Souza
Senhor elegante
Acrílico sobre tela
( Brincando de pintar)
Há algo que me intriga
Escondido dentro do celeiro
Em meio ao trigo
Pode haver um mensageiro
A noite o frio
Congelante
Trás notícias pelo rio
O refúgio dos passantes
O celeiro que ouve vozes
O trigo de travesseiro
Esconde de seus algozes
Tão corajoso companheiro
Meu celeiro interior
Me fala sobre o passado
Uma história de amor
Escrita por um exilado!
Jussara Rocha Souza
Acrílico sobre tela
Celeiro
E você o que esconde em seu celeiro interior?
( como disse anteriormente não sou artista, apenas faço o que gosto)
Campos e estradas
Bebo vivências
Me embriaga de experiências
Atiça o espírito
E o artista grita
O pincel então dança
Brincando com a tela
Me livrando da esparrela
Liberta
Deixo os sentidos
Aflorarem minhas entranhas
Agora sou eu
Neste mundo que me estranha!
Vista por trás do canal da Corsan
Havia nela algo de estranho
Olhos nublados de segredo
Como ferro no estanho
Fugidio, cinzas ao vento
Queria para mim seus medos
Ninar no colo do tempo
E assim como no arvoredo
Cortar galhos doentes
Porque então mentes
Eu a quero para mim
Com suas dores e temores
Tudo nela até o fim
Exerce em mim um fascínio
De querer o que não é possível
Da vida um escárnio
Beber com gozo o fel
Do amargor tirar mel
Me derramar na tua boca
Como tinta e pincel
Lambendo a tela do teu corpo
São delírios
De um jovem demente
Martírio
Não poder dizer o que sente
Sim, havia nela algo de estranho...
Será o amor um delírio?
Jussara Rocha Souza
Ela não era Alice
Mas vivia no país das maravilhas
Sua vida feita de fantasias
Transformava ervilhas
Em carruagens
Inventava bobagens
Ensaiava coragem
Finais felizes
Onde mocinhos eram heróis
E viviam felizes para sempre
Um dia conheceu a paixão
O príncipe João
Com seu castelo de papelão
Não era o homem de lata
Mas como o tal
Não tinha coração
Seria o amor uma triste ilusão
Ou apenas um conto de fadas da vida real.
Jussara Rocha Souza
Tinha violetas na janela
Casa de paredes lilás
Seu mundo era colorido
Tudo nela aliás
No estômago borboletas
Livres a voar
Tremiam ao lhe ver passar
O jardim cheio de flores
Da moça da cor lilás
Exalavam fragrâncias
Que lhe roubavam o ar
Dizem que ela espera alguém
E cada flor do jardim
Representa a sua partida
A moça da cor lilás
É pura fantasia
Sentada em seu jardim
Em noites de lua cheia
Vira vaga-lume
Em busca de um antigo perfume!
Jussara Rocha Souza
Tenho lágrimas no olhar
Mas não sou triste não
São gotas de saudade
No peito acumulada
Que brotam na primavera
Viram flores avermelhadas
E precisam ser molhadas!
Jussara Rocha Souza
Abria porta e janelas
Acreditava que a dor poderia sair por elas
Na cozinha batia pratos e panelas
Cozinhava mágoas
Condensava lágrimas
Na sala as risadas ecoavam
Mal sabiam que o jantar servido
Tinha além de lagostas e caviar
Tinha neles o suor
O sabor da dor
Do ferro que mexe a brasa
Que marca a pele
E a ferida abrasa
Desculpa meu Senhor
Mas teu prato
Hoje contém veneno
Do mesmo que me deste
Esperma, ódio, sangue
Temperado com dor, lágrimas, heranças
Da velha negra a beira do fogão
Foi ainda ontem ou ainda é?
Pergunta ao meu interior a criança.
Jussara Rocha Souza
Se me disseste que vinhas
Prepararia meu melhor sorriso
Usado um belo vestido
Feito as unhas
Quem sabe compraria uvas
Colocaria luvas
Ensaio gestos e bocas
E em frente ao espelho
Arrumar os cabelos
Mas nada teria importância
Se não fosse por amor
E este não pede formosura
És meu e eu tua
Simples, clichê
Sem trejeitos
Sem enfeites
Distraídos
Sós, somente em nós!
Jussara Rocha Souza
Se me disseste que vinhas
Prepararia meu melhor sorriso
Usado um belo vestido
Feito as unhas
Quem sabe compraria uvas
Colocaria luvas
Ensaio gestos e bocas
E em frente ao espelho
Arrumar os cabelos
Mas nada teria importância
Se não fosse por amor
E este não pede formosura
És meu e eu tua
Simples, clichê
Sem trejeitos
Sem enfeites
Distraídos
Sós, somente em nós!
Jussara Rocha Souza
Se me disseste que vinhas
Prepararia meu melhor sorriso
Usado um belo vestido
Feito as unhas
Quem sabe compraria uvas
Colocaria luvas
Ensaio gestos e bocas
E em frente ao espelho
Arrumar os cabelos
Mas nada teria importância
Se não fosse por amor
E este não pede formosura
És meu e eu tua
Simples, clichê
Sem trejeitos
Sem enfeites
Distraídos
Sós, somente em nós!
Jussara Rocha Souza
Queria tanto poder dizer
Das dores do meu viver
Destas que machuca
Sem ninguém ver
Não há hematomas na pele
Há sangue no coração
Cicatrizes profundas nas mãos
Machucadas pelo medo de dizer não
É um sofrimento constante
Como se a gente não fosse gente
Vem de muitos andares
Pedras e tropeçar
É o lamento dos loucos
Dos que não sou ouvidos
Do grito preso na garganta
Com seu íntimo em gemidos