terça-feira, 13 de outubro de 2026

Atrevido



Já não basta sonhar 

Preciso amar

Sentir o frio na barriga

O rubor no rosto da rapariga


Quero a ilusão dos jovens

Das paixões urgentes

Sem medos aparentes

De um corpo decadente 


Minha alma anseia 

Antes que apague a candeia

Sorver de toda a musicalidade 

Presa pelas tais sanidades


Não me importa julgamentos

Moral, decência 

Para que consciência 

Choradas no meu sepultamento 


Quero vida

Cansei de flores mortas

De amores abortados 

Frios e aguado


Nesta minha idade

O que menos me cabe

É sofrer por amor

Mas dele quero morrer 

De prazer!


Jussara Rocha Souza

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