Escuto o estalar do taquaral, cochichando entre si e com o vendaval.
Contam histórias de um passado que envergonha e faz mal; lembranças da escravidão, dos abusos do patrão. O taquaral geme alto, igual à dor na escuridão, um grito sufocado pela tirania de uma nação.
A noite no taquaral esconde mistérios, sexo, dor e resignação.
Mas também foi testemunha de casos de amor, segredos e revelações. Juras para sempre eternizadas; outras que nunca foram cumpridas. O sangue, nas folhas grudado, adormeceu os já sem vida.
De dia, o sol aquece o taquaral, seca e lambe as feridas, prometendo um novo anoitecer.
Os anos se foram, mas o taquaral continua a gemer. Talvez ele saiba que é impossível esquecer!
Jussara Rocha Souza

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