terça-feira, 13 de outubro de 2026

Guardiã das lembranças

 



Escuto o estalar do taquaral, cochichando entre si e com o vendaval.


Contam histórias de um passado que envergonha e faz mal; lembranças da escravidão, dos abusos do patrão. O taquaral geme alto, igual à dor na escuridão, um grito sufocado pela tirania de uma nação.


A noite no taquaral esconde mistérios, sexo, dor e resignação.


Mas também foi testemunha de casos de amor, segredos e revelações. Juras para sempre eternizadas; outras que nunca foram cumpridas. O sangue, nas folhas grudado, adormeceu os já sem vida.


De dia, o sol aquece o taquaral, seca e lambe as feridas, prometendo um novo anoitecer.


Os anos se foram, mas o taquaral continua a gemer. Talvez ele saiba que é impossível esquecer!


Jussara Rocha Souza

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